sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Viva a República!


«Meu caro Luiz
Em primeiro lugar: Viva a republica!
Como tens tu passado?
Agradecido pelo teu cuidado, todos estamos bons, e saudamos o novo regimen.
Então o que me dizes tu a tudo isto, à bravura dos nossos soldados, ao nosso povo que já não tem capilé nas veias e ao nosso governo?
Estou encantado com a boa orientação da nossa gente. E tu?... …
Desejava ver-te porque tenho coisas novas que deves gostar, tais como, medalha da guerra Peninsular, uma estatua Despertar, uns marmores, etc. Até quando?
saudades do teu primo muito amigo José.
|Saude e Républica…|»

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Datada de Lisboa, a 9 de Outubro de 1910, apenas quatro dias após a Proclamação de República, eis um postal de José Simões d’Almeida (sob.º) para o seu primo Luiz d’Almeida Pinto. Nele, o escultor do conhecido busto da República dá conta dos primeiros sentimentos quanto à mudança de regime.
 
(E dois meses e meio depois, pelo Natal, a menina do Despertar também iria, já em postal ilustrado… Mas não é isso o que agora aqui nos traz)
 
 
 
 
 
 
 
 
J Simões d'Almeida (sobº) Busto da República, 1908
De José Simões d’Almeida Sobrinho (1880-1950) é este Busto da República, 1908, ainda contemporâneo do reinado bragantino, encomenda da Câmara Municipal de Lisboa, já então de vereação republicana, e mais tarde reproduzido às centenas, ou copiado à exaustão em versões mais ou menos fieis ou de gosto mais popular.
 
Aqui numa das suas versões originais, em gesso - oferta do Autor ao Clube Figueiroense e actualmente depositado na Câmara Municipal de Figueiró dos Vinhos, a terra que o viu nascer.
 
 
 
J Simões d'Almeida (sobº) Busto da República, 1910
Fica também uma outra versão, a menos conhecida, o Busto da República, 1910, já moldado sob o novo regime republicano, possivelmente a versão para o concurso oficial - ganho por outro (que ganhou “as mesmas”, pois o busto do Simões já havia conquistado o coração do povo, saído á rua nos funerais dos heróis da República, e assim ficou…)

Esta outra versão, assinada e datada de 1910, faz parte do antigo acervo da Escola Industrial Jacôme Ratton, de Tomar - ao tempo dirigida pelo tio do Escultor, o pintor Manuel Henrique Pinto, o pai do Luiz a quem aquele postalinho foi dirigido.
 
 
 
Por fim, em dia 5 de Outubro, uma outra pouco conhecida obra da época, celebrando a Revolução Republicana. Da autoria de José Maria de Sousa Moura Girão (1840-1916), outro dos pintores do Grupo do Leão, o quadro Viva a República, 1910.

 José Moura Girão, Viva a República, 1910
 
Trata-se de um óleo sobre tela, com 45x35 cm, assinado e datado «J. Gyrão, 1910» e que foi apresentado na 9ª Exposição da SNBA, 1911, com reprodução fotográfica no respectivo catálogo [1].
            Um dos habituais galos emplumados de Girão, um dos raros que se exibem a cantar, anuncia a aurora republicana, empoleirado numa das barricadas da Rotunda. Ao fundo, dando Vivas à República, o povo agita armas, chapéus e bandeiras. Note-se, nestas, a troca das cores relativamente ao que viria a ser estabelecido pela Comissão participada por Columbano – aqui, o campo vermelho apresenta-se do lado da tralha – Girão regista, muito provavelmente, o verde e rubro carbonário.

Viva a República!


5 Out. 2012. LBG.









[1]  Reproduzido aqui a cores a partir do livro de Manuel Nunes Corrêa, Moura Girão 1840-1916. Lisboa 1983.







 


 

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