Mostrar mensagens com a etiqueta Julia Malhoa. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Julia Malhoa. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Nos 160 anos de Júlia Malhoa


Hoje, 7 de Janeiro, perfazem cento e sessenta anos desde o nascimento de Juliana Júlia de Carvalho - Júlia Malhoa, pelo casamento.
Há um ano já se assinalou esta data - ainda não aqui mas no outro endereço – em nota que, em devido tempo, para aqui foi copiada. Sobre este assunto já quase tudo foi dito. Só para recordar, podemos relembrar istomais isto ou isto.


Hoje aproveitamos para deixar só mais esta foto da Senhora Dona Júlia Malhoa. Uma fotografia de «R.P.M.Bastos | Galeria Photografica | 25, Calçada do Duque, 25 | Lisboa».

É uma foto curiosíssima. Mostra-nos Júlia Malhoa quase nos mesmos preparos que nos é mostrada na tela de 1883. Tal qual a deverá ter conhecido Ramalho Ortigão para ter escrito, recordemos: «O retrato nº 53, de Malhoa, é o único acabado nesta exposição. Esta qualidade, junta à de uma semelhança perfeita, torna-mo extremamente simpático, e fez-me esquecer, para aplaudir o autor, de uma certa anemia de empaste e de uma dominante de acorde em cor-de-rosa, que prejudica a intensidade nervosa da expressão na figura».

Fica, portanto, a fotografia. Sempre pode dar uma ajuda para se perceber isto e aquilo.
Só mais uma nota: repare-se nas “orelhinhas” da Senhora. As mesmas que Malhoa regista no Retrato de D. Júlia Malhoa, 1883, e no outro, com igual título, bem mais atamancado e saleroso… e ainda no magnífico Retrato de minha Mulher, 1914. Apêndices auriculares que, curiosamente, não encontramos em nenhum dos outros retratos, desenhos e o diabo a quatro que nos querem fazer crer que representam a mesma Senhora. Entendidos?!


7 Jan. 2013. LBG

sábado, 10 de novembro de 2012

Mais uma adenda

A propósito do Retrato de Júlia Malhoa, 1883.

Porque parece que ainda há dúvidas, ou há quem não queira ver...
Diz uma recente e douta nota a propósito deste quadro: «Primeiro retrato exposto por Malhoa, se concordarmos com a data atribuída por alguns autores...» e logo a seguir vem mais parvoíce.
Ora, não temos de concordar ou deixar de concordar, e os autores não são alguns - é um - Malhoa, que resolveu assinar e datar a tela: «Malhôa 1883». Como sempre se pode ver ampliando esta mesma foto (canto inferior esquerdo).











Fica percebido?! O resto, diz-nos Ramalho Ortigão.  O que já aqui escrevi. E as parecenças ou «semelhança perfeita» com fotos e outros retratos de Júlia Malhoa - ela mesma.

Dúvidas, se as houver, será sobre quem seja a retratada num desenho a carvão, talvez do mesmo ano (?), alegadamente, e não se sabe bem porquê, que se diz representar Júlia Malhoa (?) ...

Será que não temos olhos na cara?
Depois admiram-se se acharmos que «raisonné», afinal, quer dizer apenas uma coisa pouco mais que «razoável»...

10 Nov. 2012. LBG

terça-feira, 24 de abril de 2012

Das bodas do José e da Júlia…



Hoje, 29 de Janeiro, fariam anos de casados José e Júlia Malhoa.




Para comemorar as Bodas de Prata de tal data, ofereceram-se este par de argolas de guardanapo no mesmo metal. Uma com a data do enlace «1880», a outra com 25 anos mais «1905». Era a altura da “Arte-Nova”, e as argolas acompanham o estilo.

(Cinco anos mais tarde, Manuel H. Pinto e Mª da Conceição repetirão entre si a graça, com argolas semelhantes e datas ajustadas – 1885 e 1910)

Mais que as argolas, convém não esquecer, José e Júlia presenteiam-se, nesse ano de 1905, com casa nova, nas Avenidas também Novas, projectada pelo novo Arquitecto Manuel Joaquim Norte Júnior, logo premiada com o novo Prémio Valmor (será a terceira a receber tal prémio - não atribuído no ano anterior, para desespero do Lambertini, e apesar dos tectos e frescos do Malhoa…).

Ei-la, acabadinha de fazer, toda airosa, na Avenida António Maria do Avelar, ainda, e ainda sem carros.


E, como as argolas, também à “la page” - “Arte-Nova”, pois então!
Tal como os frisos e painéis azulejares que a embelezam. Eloy, dizem [1], Malhoa e Ramalho.

Do António Ramalho Júnior, a tela a óleo de A Glória, também “Arte-Nova” chapada, assim e do avesso reproduzida nos painéis de azulejo que ladeiam o grande janelão do atelier. Fica para assinalar a data.

 (Hoje, tal edifício é a Casa-Museu Anastácio Gonçalves, e vale sempre uma visita...)






Sobre o casamento propriamente, foi pelas oito da manhã do dia 29 de Janeiro de 1880, na Igreja do Sacramento, ali ao Chiado.

Malhoa devia estar, mais ou menos, assim.

E pronto!







Para mau gosto, já basta uma versão do assento do acto que por aí anda, e em duplicado ainda por cima!
Metade é aldrabado - copiado mal-e-porcamente. Alguém pensou que tinha descoberto segredinho novo, salivou, arreganhou a boca, mordeu a língua, turvou-se-lhe a vista - tresleu - e com a sofreguidão comeu metade das palavras. O resultado é lastimável. E não havia necessidade…
(Eu bem que avisei, aqui atrasado…Agora, queixem-se que tenho mau feitio!)
Assim, onde e quando lerem que Malhoa, por essa altura, «mora na Rua da Conceição» fiquem sabendo que deveriam ler «… na Rua do Crucifixo, nº 50, freguesia da Conceição». O endereço, como outras coisas, foi tragado com a avidez da gula!
Esta era, aliás, a mesmíssima morada do “mano” Joaquim. Na esquina com S. Nicolau, mais pertinho da loja dos chapéus e das escadinhas de S. Francisco por onde subia até à Academia.
Mas a nova asneirola já rola, ufana, resultado da ânsia coscuvilheira.

E siga a marinha!




Publicado originalmente em 29 Jan.2012. LBG.



 [1] Sobre este assunto, ver a interessante tese do Arq. António Cota Fevereiro, Álvaro Augusto Machado, José António Jorge Pinto e o movimento arte nova em Portugal, ULL, Maio 2011. Ali se percebe a diferença entre as pinturas originais a fresco atribuídas a Eloy e os azulejos que as substituíram (c. 1914?), muito provavelmente, da autoria de José António Jorge Pinto. Repetindo os motivos de Malhoa e Ramalho nos painéis principais, mas alterando o desenho nos frisos decorativos. A comparação entre fotos de 1905/6 e outras mais tardias parece prová-lo claramente.


sexta-feira, 20 de abril de 2012

… e hoje é o aniversário!



Pois é. Cinco dias depois da data da sua morte, comemora-se hoje, 7 de Janeiro, a data de nascimento da Júlia Malhoa.

Janeiro é um mês fatídico na sua vida – a 29 calhará ainda a data do casamento de Júlia com José.

Por hoje, só esta notinha a assinalar este facto – isto a crer no registo de baptismo, realizado a 6 de Julho de 1853, na Igreja de Santo André e Santa Marinha, em Lisboa, onde teve por padrinhos o sacristão da paróquia e Nª Sª das Dores – lá reza que fora nascida a 7 de Janeiro desse mesmo ano. Perfazem hoje 159 anos.

(Enganaram-se, portanto, nas contas ao fazer o registo do óbito – contaria ao morrer já 65 anos, praticamente 66. Pormenores…)





Ficam também os quadrinhos de que falámos há dias (para fruição de uns, ou irritação de outros…). A Juliana Júlia de Carvalho e a Mª da Conceição Simões de Almeida, a bordar no Cabeço do Peão, sobranceiro a Figueiró dos Vinhos, retratadas pelos respectivos maridos…

Ou será vice-versa? É escolher!


Publicado originalmente em 7 Jan. 2012. LBG




A propósito de Júlia Malhoa



Hoje faz anos que morreu Júlia Malhoa. Hoje, 2 de Janeiro. E não noutro dia qualquer…

«…às nove horas e zero minutos do dia dois do mez de janeiro do ano de mil novecentos e desanove, numa casa da Avenida cinco de Outubro, seis, da freguesia de São Sebastião da Pedreira, desta cidade, faleceu de embolia, um indivíduo do sexo feminino de nome Juliana Júlia de Carvalho Malhoa, de sessenta e quatro anos de idade...» reza o assento de óbito, a fls 1 vº e Nº3 do L14 da 3ª Conservatória do Registo Civil de Lisboa relativo ao ano de 1919.

Quer isto dizer que, mais uma vez, alguém perdeu uma bela ocasião para estar calado, quando, após mais uma leitura apressada de um postalinho, vem corrigir o que não tem correcção e põe em causa o que Matilde Tomaz do Couto escreveu em 2005, e pelo visto bem, quando nos refere «o falecimento da esposa, nos primeiros dias de 1919…»

“Quem, com ar doutoral, corrige o que está certo, ou é tolo ou pouco esperto…” - não diz o povo, mas bem podia dizer.


Juliana Júlia de Carvalho Malhoa (1853-1919) foi a companheira dedicada de José Malhoa durante praticamente 39 anos. O amor de toda uma vida.

Que se saiba e agora me recorde, Malhoa pintará apenas quatro retratos de Júlia.

Este, que agora vemos, datado de 1883. Retrato que Malhoa sempre manteve no lugar de honra de sua casa, deixando disposições testamentárias no mesmo sentido.

Um outro, existente no MJM, possivelmente anterior, ainda de fraca mão, com uma Júlia “hespanholada” de leque, mantilha e olé!
E que pode ver aqui.

Outro mais, de poucos anos depois, onde Júlia é retratada, de corpo inteiro, sentada a bordar ‘en plein air’ no Cabeço do Peão, em Figueiró dos Vinhos – pequena tábua exposta em 2002 e que faz ‘pendent’ com uma outra em que MHPinto retrata Mª da Conceição, sua mulher, nos mesmos propósitos.

E, finalmente, o magnífico Retrato de Minha Mulher, 1914, do MNAC-MC, outra tábua que nos mostra o perfil de Júlia, meio de escorço, recortado sobre um fundo de flores impressivo. Quadro que Malhoa fez questão de doar ao Museu logo após o falecimento da sua querida Júlia.


Debrucemo-nos, por agora, sobre o Retrato de D. Júlia Malhoa, 1883, quadro apresentado pela primeira vez nesse mesmo ano, na 3ª Exposição de Quadros Modernos do Grupo do Leão.

Não sendo nenhuma obra-prima, tem a importância que tem.

Trata-se, que me recorde, de um dos primeiros retratos formais que Malhoa executa e mostra em público [1] - com pincelada aplicada, apresenta-se, agora e também, como Pintor de Retrato. Inaugurando assim a extensa galeria de burgueses e aristocratas, suas mulheres e filhas, que lhe farão «bicha à porta do atelier». Ao mesmo tempo, apresenta-nos, três anos após o casamento, a sua própria mulher como Senhora de Sociedade - formal, forçadamente de gorro e estola de peles, e bouquet de rosas finas, como nunca mais a veremos. Quem sabe se numa tentativa de exorcizar de vez [2] uma mácula de concepção?!

Sobre este Retrato de D. Júlia Malhoa convém lembrar que, contrariamente à generalidade das críticas que sempre a seu propósito são recordadas [3], Ramalho Ortigão também se lhe refere.

Se, no ano anterior, já havia elogiosamente escrito «Malhoa, que em outras exposições nos mostrava interessantes documentos da sua viva e corajosa aptidão, aparece-nos agora como um luminista extraordinário à Cláudio Loreno» - antecipando em mais de um século teorias que se querem novas -, em 1883, o grande Ramalho Ortigão dirá sobre este quadro «O retrato nº 53, de Malhoa, é o único acabado nesta exposição. Esta qualidade, junta à de uma semelhança perfeita [4], torna-mo extremamente simpático, e fez-me esquecer, para aplaudir o autor, de uma certa anemia de empaste e de uma dominante de acorde em cor-de-rosa, que prejudica a intensidade nervosa da expressão na figura».

Para Malhoa, está visto, mais valeu um Ramalho na mão que dois Monteiros a voar… E as «bichas à porta do atelier» não demoraram a formar-se…



Publicado originalmente em 2 Jan. 2012. LBG.


[1] Que a estória do Retrato de Joaquim Malhoa ser obra anterior, é treta e já antiga, de outra ‘pena brilhante’ - a de Montez… Mas, basta olhar e ver…
[2] De vez, ou, pelo menos, nos 127 anos seguintes - até um pobre palerma resolver que a História d’Arte se faz com conversa de soalheiro…

[3] Refiro-me, entre outras, às críticas demolidoras então publicadas por Monteiro Ramalho ou Emídio de Brito Monteiro, e que sempre vêm à baila quando disto se fala... A de Ortigão, sabe-se lá porquê, tem ficado no limbo.


[4] Pode ver aqui, em fotografia da época, Júlia Malhoa com o mesmo gorro e a mesma gola de rendas, mas sem a estola ou casaco de pele.
Adenda
Porque parece que ainda há dúvidas, ou há quem não queira ver... 
Diz uma recente e douta nota a propósito deste quadro: «Primeiro retrato exposto por Malhoa, se concordarmos com a data atribuída por alguns autores...» e logo a seguir vem mais parvoíce.
Ora, não temos de concordar ou deixar de concordar, e os autores não são alguns - é o próprio Malhoa, que assina e data a tela: «Malhoa 1883». Como se pode ver ampliando esta mesma foto (no canto inferior esquerdo).



Fica percebido?! O resto, diz-nos Ramalho Ortigão. E as parecenças ou «semelhança perfeita» com fotos e retratos de Júlia.
Dúvidas, se as houver, será sobre quem seja a retratada num desenho a carvão, talvez do mesmo ano (?), alegadamente, e não se sabe bem porquê, que se diz representar Júlia Malhoa (?) ...
Será que não temos olhos na cara?
10 Nov. 2012. LBG