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quarta-feira, 1 de junho de 2016

«O Casulo» contado às criancinhas

(a ver se os crescidos entendem…)


Neste Dia Internacional da Criança deixo-vos com o meu amigo Figueiredo, o Esquilo Figueiredo. O Figueiredo é, como o nome indica, um esquilo de Figueiró. Um Sciurus Vulgaris, de Linnaeus, um velho conhecido, um simpático bicho.

   Gosta de me aparecer por lá. Dá-me conta das avelãs, no tempo delas das nozes e das castanhas, mas principalmente das pinhas. Às vezes quero acender a lareira ou o fogareiro para assar umas sardinhas e só encontro carolos das pinhas, que o malandro mas roeu todas. Isto não impede que entre nós se tenha desenvolvido uma bela e verdadeira amizade.

Quando por lá estou e está tudo sossegado, quando não anda por lá o gato da Mena ou o canito da Dona Adélia, volta e meia lá me aparece. Empoleira-se numa ramada, olha para mim, eu olho para ele, e ficamos horas a conversar. É um bicho esperto. Sabe-a toda!
Mas é bastante reservado, e gosta pouco de trapalhices. Assustadiço. Se algo o incomoda, se alguém se arma em parvo, a coisa não corre bem, desaparece num pulo, trepa à copa mais alta dum pinheiro ou dum cedro grande e nunca mais ninguém o vê. Pelo menos durante uns tempos, até lhe passar…
Gosta muito de pinhas, mas também de respeito e da boa educação. É assim.
Apesar do aparente mau feitio, é uma jóia de bicho, um animal prestável. Bem conversado e longe de confusões, faz tudo o que se lhe pede. E certinho. Só não faz mais se não puder.

Outro dia, por um acaso, encontrei uns amigos meus às voltas com um folheto para os meninos das escolas de Figueiró. A ideia era boa, as ilustrações muito engraçadas, faltava uma história com pés e cabeça. Lembrei-me do Figueiredo. E ele tratou do assunto.
Basicamente aqui vão a conversa e os desenhos do Figueiredo feitos especialmente para os meninos de Figueiró. Agora em versão completa, antes de condensada para caber no papel. Que quando começa, e custa a começar, depois é difícil pará-lo.
Como parece que a outra custa a sair, lá por coisas, esta nossa versão vai com outros retratos de outros fotógrafos. – «É pena, pá! Gosto mesmo dos bonecos da Ana… Mas se se entretêm a engonhar, mete aí outra coisa qualquer. Enleios é que eu não quero!» – avisou-me logo o bicho. Portanto, os bonecos ficam para outra vez.
E fiquem com o Figueiredo.





Eram uma vez (em Figueiró) quatro artistas:

José Simões d’Almeida júnior, escultor.
Nasceu em Figueiró dos Vinhos, a 24 de Abril de 1844, e morreu na Amadora em 13 de Dezembro de 1926.







É do seu cinzel este mármore de «Luís de Camões», 1892, escultura que o Artista ofereceu ao «Clube Figueiroense» e que agora podemos ver no Museu.





Manuel Henrique Pinto, pintor.
Nasceu em Cacilhas, em 15 de Março de 1853, e morreu em 26 de Setembro de 1912, nas Lameiras, no fim de mais um verão passado em Figueiró.

«A caça dos taralhões», c.1891, é a primeira de uma série de pinturas, umas feitas por ele e outras por Malhoa, que 


retratam a vida e as brincadeiras de uns meninos que viviam na quinta da Fonte do Cordeiro, em Figueiró. O quadro foi logo comprado pelo Rei D. Carlos, chegou a ir a Berlim em 1896, mas depois não se sabe onde foi parar… Por isso só o conhecemos de fotografia.


José Malhoa, pintor.
Nasceu nas Caldas da Rainha, a 28 de Abril de 1855, e morreu em Figueiró, no «Casulo», em 26 de Outubro de 1933.







«O Baptismo de Cristo», 1904, é um quadro que Malhoa fez de propósito para a Igreja Matriz de Figueiró. Mostra o S. João Baptista a baptizar Jesus. Está à vista de todos lá na Igreja.


José Simões d’Almeida (sobº), escultor.
Nasceu em Figueiró, ao Cimo da Vila, em 17 de Junho de 1880, e morreu em Lisboa a 2 de Março de 1950.








O «Busto da República», 1908, foi modelado ainda durante a monarquia para a Câmara de Lisboa que era já republicana. 
Este, que podemos ver no Museu, é talvez o gesso original que Simões, mais tarde, ofereceu à sua terra.








M. Henrique Pinto e José Malhoa encontraram-se ainda rapazes na Academia das Belas Artes e ficaram amigos para a vida. Depois, já homens feitos, andavam muitas vezes juntos a pintar paisagens lá pelas terras à volta de Lisboa. Com cavaletes, telas, caixas das tintas, farnel, tudo de um lado para o outro.
Um dia, Simões d’Almeida (o tio), que era de Figueiró e tinha sido professor de Desenho de ambos, disse-lhes mais ou menos assim: - «Deixem-se de andar por aí com a tralha às costas, e vão mas é para a minha terra que têm lá muito que pintar!...». E eles vieram.
Isto foi no ano de 1883, vai para mais de cento e tal…
Gostaram tanto disto, que passaram a vir todos, mas todos os verões.

Logo, logo o Manuel Henrique se apaixona por uma moça de cá, uma prima do Simões d'Almeida (o tio) chamada Maria da Conceição, e dois anos depois casa com ela. Foram padrinhos o amigo Malhoa e a Júlia, a mulher deste. Foi a 3 de Agosto, na Igreja de S. João Baptista.
O «Zézito» Simões – era assim que lhe chamavam - tinha então cinco anos, e para além de ser sobrinho e afilhado do Simões (do tio) era também sobrinho e afilhado da Mª da Conceição. Por isso passou a chamar ao Manuel Henrique - «o tio Pinto». Parece complicado, mas não é.

(Isto pode até parecer Quadrilhice Analítica, que é uma disciplina da História da Arte onde, quando pouco ou nada se tem para dizer, se justifica tudo com umas propaladas e intrincadas amizades e outras intimidades entre os personagens, alguns que nem para ali são chamados, e se referem uns locais ou viagens que juntos fizeram, mesmo que, às vezes, as datas não batam lá muito certo… 
Pode ser parecido, mas não é! Isto é tudo verdadinha. E da de papel passado.)

Depois, dois ou três anos depois, o «Zézito» vai para Lisboa com os pais e as irmãs, fará por lá as Belas Artes, onde também foi discípulo do Tio, e irá até Paris. Portanto, o Simões d’Almeida (sobrinho) só voltará a entrar nestas nossas histórias muitos anos mais tarde… (mesmo que alguém possa achar o contrário).

Ora, se o Pinto casa cá, o Malhoa faz cá casa.

Alguns anos depois Malhoa comprou aqui um terreno (e parece que comprou mesmo…) onde construiu uma pequeníssima casa[1], apenas com uma divisão. De um lado uma cozinha minúscula, do outro uma só sala. Para dormirem dividiam parte da sala com dois biombos, um para fazer o quarto dele e da mulher, outro para o da irmã Maria Rita. A parte central, no que sobrava, era casa de jantar e de estar. Cá fora, uma barraca de colmo onde o antigo dono do terreno guardava as coisas da lavoura servia de atelier.
E de tão pequenino que aquilo era, o baptizou com o nome de «Casulo».

(Isto, mais ou menos, foi escrito pelo meu avô, o Esquilo Figueiroa, que em miúdo vinha às bolotas a um velho carvalho que havia ali ao lado, e viu tudo.) [2]

Era assim. Eu faço um desenho:



Depois, em 1898, Luiz Ernesto Reynaud, o arquitecto que estava cá a fazer as obras de remodelação da Igreja e tinha sido colega deles nas Belas Artes e aluno do Simões (o tio), fez o projecto de ampliação. A antiga casinha (o «Casulo» propriamente dito) ficou para atelier [3], e encostado mesmo ao lado construiu-se uma nova moradia. Também pequena, mas com quartos e tudo.
Por volta de 1901 estava quase tudo pronto.

E ficou assim:



Depois, bem, depois passaram muitos anos. O senhor Malhoa foi ficando velhinho, os amigos morrendo, e ele também acabou por morrer. E o «Casulo» foi tendo novos donos, foi servindo para outras coisas, e foi mudando aos poucochinhos. Mudou mesmo bastante. É giro descobrirmos as diferenças.
Mas ainda ali está, que as casas boas resistem a tudo. E podemos vê-lo agora, por dentro e por fora, descobrir coisas antigas e coisas novas. E voltar a contar histórias.
Ora as histórias podem ser bem ou mal contadas, das que dá gosto ler e ouvir, ou daquelas trapalhonas e que não interessam a ninguém. É conforme se queira. Tudo depende do modo como as deixam contar. Ou de não se armarem em tolos…





1 Jun. 2016.








[1] A casa, térrea, uma porta e duas janelas, teria para aí 8,10m de comprido por 4,70m de largo, o que dá uma área bruta de 38m2. Se descontarmos a grossura das paredes, a área útil rondaria os 24m2.

[2] Aqui, confesso, estou a usar uma figura de estilo, coisas da literatura. Nem por volta de 1898 havia esquilos em Figueiró – estávamos então extintos - nem os esquilos vermelhos, os da minha espécie, vão lá muito por bolotas – deixamos isso para os porcos e para os cinzentos, os americanos, uns outros esquilos que nalguns países da Europa são já uma espécie invasora. Mas tudo o resto – o carvalho, o avô, o ter visto, o ter escrito – é tudo verdade.

[3] Se olharem bem para os desenhos, verão que a porta e as duas janelas do atelier seriam as mesmas do antigo «Casulo». Mas agora alindadas, com as ombreiras, peitoris e vergas marcadas em massa clara, contrastando com o revestimento almagre da fachada. O mesmo no tratamento dos cunhais, entablamento e soco, remetendo para a linguagem da nova ampliação, unificando todo o conjunto.
Note-se que o atelier continuou térreo, com o piso numa cota intermédia entre a da loja da nova construção (semi-enterrada pelo tardoz) e a do andar principal. Mas ganhou pé-direito - toda a altura do novo entablamento. 
A nova cobertura, ainda essencialmente de duas águas mas com uma maior inclinação, era cruzada no seu eixo transverso por um outro sistema também de duas águas. Esta outra cobertura transversal era telhada do lado da frente, terminando sobre um tímpano triangular de alvenaria na continuidade do plano da fachada, e onde se abria uma pequena lucarna rectangular. Do lado do tardoz era inteiramente vidrada, suportada por uma estrutura metálica, possibilitando assim a entrada a jorros da luz zenital. 
Os panos de tardoz e de empena mantinham-se cegos, tal como na antiga casinha.

(Pronto: lá tive eu de me armar em arquitecto… mas dos bons. Também, se quero um ninho bem feito lá no alto dum pinheiro, tenho de ser eu a fazê-lo. E são muitos anos disso...)



quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

O António Carlos

e depois, podem chamar-lhe (ou a mim) 
o que quiserem…

          Novembro quase passado. Há muito que lá iam as vindimas. Já eram as broas mais o tempo das castanhas. Nos lagares moíam-se as derradeiras azeitonas.  Aquele ano de 1902 estava a chegar ao fim, e Malhoa ainda se demorava por Figueiró.
Pudera! o «Casulo» aumentado, finalmente com um atelier como devia ser, tudo ainda com as madeiras a cheirar a novo. Houve que aproveitar e trabalhar até mais não. E, para Malhoa, a “colheita” desse ano foi bem boa!
Estava quase «a retirar para Lisboa» levando consigo o produto da sua “safra”. Mas, antes, tinha que satisfazer a curiosidade de alguma daquela gente que andava mortinha por meter o bedelho no «chalet novo do sr. Malhoa» e não havia meio… Malhoa não podia passar mais um ano sem o fazer, ou “o cortar-lhe na casaca” seria ocupação certa nas longas noites do inverno figueiroense…
Assim, numa terça-feira, 25 de Novembro (ora cá está uma boa razão para se evocar a data) mas de 1902, lá se resolveu a convidar «as pessoas de suas relações» a visitarem o atelier «para verem os seus bonecos».
Por certo não estiveram os mais íntimos, os amigos da casa: o Pinto e o Simões há muito que haviam abalado para Tomar e Lisboa, logo que o tempo das aulas a isso os obrigara (embora o «Manel» ainda lá permanecesse em retrato); e o Quaresma, outro grande amigo que conhecia o «Casulo» de trás para a frente, pois havia sido o grande apoio na condução das obras, andava já atrapalhado, coitado, com os achaques que o iriam levar em breve “desta para melhor” - até o jornal falava disso. Terão ido outros e outras, não interessa agora quem. Parece que ficaram todos satisfeitos. E, quatro dias depois, a "vernissage campestre" foi notícia n’ O Figueiroense.

Podemos, agora e aqui, voltar a ler e ficar a saber tudo:





























         E, da mesma página do jornal, a nota sobre a doença do Quaresma. Com a particularidade, pelo menos para mim que sou um pedaço distraído, de ser a primeira vez que o vejo nomeado como presidente da Câmara Municipal. Que este Manuel Quaresma d’Oliveira, quer-me parecer um homem bom, é mais um desgraçado que não caiu em graça da historiografia figueiroense…




















O relato do escriba do jornal é saboroso. Através dele ficamos a saber um pouco mais sobre alguns dos quadros que Malhoa pintou nesse ano em Figueiró: «A procissão», o retrato d’«O António Carlos», «O phosphoro de enxofre», «A apanha das castanhas», a «Descamisada», «Cabeça d’estudo» (o tal retrato do Pinto de que já aqui falámos) e «Ultimos raios de sol». De alguns destes ficamos a conhecer os protagonistas – e de fonte bem mais segura que algumas inquinações posteriores, porque nos é dito em primeira mão e por quem os conheceu realmente. E, sem escusadas erudições, modestamente reconhecido - «que por incompetência nos abstemos» - ali temos também uma descrição sucinta e objectiva de algumas das pinturas de Malhoa.
Deixemos as outras para depois. Detenhamo-nos no intrigante «O António Carlos». 
           O «retrato de um velho d’aquelle nome» - chamava-se António Carlos, está visto - «de 88 annos» - uma provecta idade para esses tempos - «com chapeu na cabeça, capote aos hombros e mãos sobre um apoio» – só faltou dizer mesmo que o «apoio» era um grande guarda-sol azul - «tudo o mais natural que pôde imaginar-se»… Delicioso. Conciso. Sem lugar a dúvidas.

Fica, assim, apresentada a «Cabeça do António Carlos», 1903. Um grande Malhoa! Ei-lo:

José Malhoa. Cabeça do António Carlos / Cabeça de velho / O Regedor, 1903.
ost. 56x46. Casa dos Patudos - Museu de Alpiarça.





































E se dúvidas ainda houver, o próprio Malhoa se irá encarregar de no-las tirar. Prossigamos a nossa história.

Finalmente acabada a longuíssima saison figueiroense, Malhoa retira-se para Lisboa e traz os quadros. É natural que ainda trabalhe um e outro no atelier de Campo d’Ourique, os mande emoldurar, os vá assinando e datando. Por isso não estranhemos se, daquela meia dúzia vista em Novembro de 1902 no «Casulo», uns nos apareçam datados de 1902, outros de 1903 ou mesmo 1906… Alguns serão destinados à Exposição da Sociedade Nacional de Belas Artes, outros, os que Malhoa considera mesmo bons, são-no ao Salon de Paris. A bela Cabeça do António Carlos, 1903, tinha todas as razões para o sucesso, e Malhoa sabia-o.


A 30 de Março de 1903, Malhoa assenta no seu livro «Receita | Despeza» - o tal que era mesmo só para si: «Recebi do José Relvas por conta da cabeça do Antº Carlos, pintada em Figueiró dos Vinhos, em Novembro 1902, e agora exposta no “Salon” – 300$000».

Não sabia ainda Malhoa, como o sabemos agora nós, que a sua (e afinal já do Relvas) querida Cabeça do António Carlos havia de ficar às portas do Salon
    Como se confirma pelo Catalogue Illustré, apenas «La procession» (assim, e simplesmente!) - a bem conhecida A Procissão, 1903 - teve direito de acesso.

           Para Malhoa, foi um desgosto!


Como vimos, o quadro da Cabeça do António Carlos foi pago enquanto foi a França e voltou. Voltou e foi direito aos «Patudos», a casa de José Relvas, de cuja colecção ainda hoje faz parte.
Mudou logo de nome – sabe-se lá se por fazer alguma confusão ter a cabeça de um velho aldeão chamado António Carlos na casa afidalgada do filho e pai de outros dois Carlos, e não se querer "certas misturas"… E «Cabeça de velho» simplesmente ficou.

     Este postal ilustrado, enviado pelo Veríssimo ao Malhoa (e é daqueles que eu gosto, onde se tratam por tu, direito ao assunto, sem conversas de circunstância, das que dão aso a interpretações duvidosas a quem pouco jeito tem para ler as cartas embora leia muitas…Eu, um dia destes e a outro propósito,  mostro o resto). O postal, dizia, circulou em 1907, mas é natural que tenha sido editado uns anos antes, e como se vê já lhe chama «Cabeça de velho».

Depois, logo, logo em 1906, no Catálogo da Exposição do Rio de Janeiro, o António Carlos lá aparece, mas desta vez como «O regedor».
Mas não, a Cabeça do António Carlos não foi ao Brasil ! Apenas a sua fotografia, que é uma das que ilustram o catálogo. E tal pode enganar muito boa gente. A escritora brasileira Carmen Dolores foi a primeira – durante a vernissage deve ter estado mais interessada em “tomar um vinho”, “bater um papo gostoso”, e nem olhou os quadros como devia ser… chegada a casa, fez a crónica para O Paiz a olhar os bonecos do catálogo. O resultado até é surpreendente, fala de algumas das obras expostas e doutras que nem sequer pode ter visto, e escreveu sobre a Cabeça do António Carlos 
«Vejam em seguida outro estudo de velho, e que lindo velho também, Regedor , de ásperas sobrancelhas revoltas cujos fios duros como piaçavas tem todavia a sua utilidade: velam um pouco a esperteza aguda dos olhinhos matreiros, de emboscada atrás dessas sarças brancas. | No alto das faces enrugadas, sente-se o belo tom sadio de uma maçã camoesa. As mãos são um prodígio de realidade, com as suas juntas encarquilhadas, toda a rede de grossas veias em relevo sob a pele franzida e lismada.»[1]

Mais tarde, na grande Exposição de Homenagem a José Malhoa, 1928, voltou «O Regedor». Desta vez não só no catálogo, ilustrado com aquela foto do postal ilustrado, mas de tela e moldura dependuradas na parede e tudo.
Terá, alguma vez, o nosso amigo António Carlos sido «Regedor» lá da freguesia? fosse ela qual fosse? ou é como o outro, que é «Juiz» sem nunca o ter sido? Eu disso não sei, e duvido que alguém verdadeiramente o saiba…

Mas chamem-lhe «O Regedor», «Cabeça de Velho», chamem-lhe o que quiserem, aqui o velho António Carlos, menino de mais de duzentos anos, não se deve importar grandemente com isso…

Agora escrever, e com o ar mais sério deste mundo, «o retratado é Joaquim Gabriel, do lugar da Lavandeira» é que já é o …….! com Vossa licença, era mas era a prima!

E quem copia a asneira | fica também ali à beira» – ditado popular que eu inventei há um bocadinho).

Recorte de uma  fotografia do Museu e Centro de Artes de Figueiró dos Vinhos.



           
          Entretanto, por estes dias e até 21 de Maio de 2016, a Cabeça do António Carlos está de novo em Figueiró dos Vinhos. E muito bem acompanhada!

Só a falar francês, daquele do Salon, encontramos logo dois: L’homme au capuchon / O homem do gorro / Retrato do fotógrafo António Novais (Salon, 1901) e Portrait de Mme C…… / Retrato da Ex.mª Sr.ª P. da C. (Teresa Pereira da Costa) (Salon, 1902). Esta última já havia hablado español, na verdade no ano anterior e com assinalado sucesso (Madrid, 1901). A juntar a estes dois, a Cabeça do António Carlos / Cabeça de Velho / O Regedor que, como foi e veio de Paris sem entrar no Salon (1903) e é campónio, acaba por ser apenas «avec». Não obstante, nada fica a dever aos precedentes.
De um pouco conhecido mas de muito boa qualidade Retrato do Senhor D. Luiz I, 1884, a carvão, ao pastel de O Ventura, 1933; do Retrato de Dona Júlia Malhoa, 1883, à serigaita atrevida de A Provocante, 1914; o Museu e Centro de Artes de Figueiró dos Vinhos exibe por esta altura um excelente conjunto de retratos da mão de Malhoa. Do melhor que se pode reunir. 
           É uma imperdível mostra. Merece a vossa visita.
           O António Carlos fica à espera, com «as mãos sobre um apoio»...


16 Dez. 2015. LBG

____________________________
[1] Carmen Dolores. Impressão de luz. in O Paiz, Rio de Janeiro, 26 Jul. 1906, p.3. 
Pode ler a transcrição integral do artigo, bem como outros do referido periódico sobre a Exposição de Malhoa no Rio, 1906, aqui.

...e só mais uma coisinha

Vimos já, através de duas boas fontes - O Figueiroense e o próprio Malhoa - que, inequivocamente, o modelo dCabeça do António Carlos / Cabeça de Velho / O Regedor foi «o Antonio Carlos (...) um velho d’aquelle nome, de 88 annoscom chapeu na cabeça, capote aos hombros e mãos sobre um apoio». 
        Sem tanta certeza, mas com grande probabilidade de ser também verdade, sabemos agora, segundo o tabelião da terra e de "papel passado", que o dito António Carlos era «solteiro, maior, proprietário... morador nesta villa de Figueiró dos Vinhos» e que, pelo menos por duas ocasiões, em 1892 e 1899, compareceu perante o referido tabelião para efectivar a venda de «terras de semeadura» de que era proprietário, situadas em «São Pedro, nos suburbios desta villa». E, pelo original dos assentos, ficamos a saber que era capaz de assinar o nome.
Fica, pois, o autógrafo do nosso amigo António Carlos: 



           O Zilo Alves da Silva, um outro a quem Malhoa também fará o retrato (hoje no acervo do MJM, Caldas da Rainha), assina «A rogo» do comprador. E António d'Azevedo Lopes Serra, o «Serra da farmácia», mais um amigo figueiroense do Pintor, assina como testemunha.
           Isto é coisa que interessa pouco, claro! Mas tem piada. E fica... que não estamos aqui para inventar nada.

23 Jan. 2017. LBG

sábado, 17 de outubro de 2015

O Ventura

ou 
o modelo e o “curador”

       Fica, sem muitos comentários, um artigo publicado em A Regeneração, jornal de Figueiró dos Vinhos, nº406, 11 de Julho de 1936, e assinado por um tal «Sobe e Desce». Trata-se de uma reportagem sobre o «Museu Regional do Ventura». 
       O Ventura foi um personagem de se lhe tirar o chapéu! um dos derradeiros modelos figueiroenses de Malhoa. Obviamente já o não conheci, mas tive ainda relatos desta sua "obra memorável". Relatos que, no essencial e do que recordo, coincidem ao escrito no artigo, quer quanto ao "acervo" do seu «Museu» quer quanto às patuscas características deste fantástico e bom homem.
            Mas, só lendo, para ficarmos todos a conhecê-lo melhor.
Como se percebe, o escrito é posterior ao desaparecimento de Malhoa, falecido a 26 de Outubro de 1933.
Começamos por uma foto do entrevistado retirada do site da Biblioteca Municipal Simões d’Almeida (tio) e, com quase toda a certeza, posterior àquela data. É uma imagem que existe também reproduzida em postal ilustrado, editado ao tempo pela comissão municipal do turismo.


     Para o fim «O Ventura», 1933, tal como foi retratado por Malhoa. Num dos últimos trabalhos do Pintor, um pastel sobre papel, 33x25, actualmente no acervo do Museu José Malhoa, nas Caldas da Rainha. 
Faria pendant com um outro, igualmente no MJM, deixado inacabado à morte do Artista, designado por «Desalento», e retratando a mulher do Ventura
Os tracinhos na margem superior do papel indicarão o número das sessões de trabalho. É um registo comum em vários trabalhos de Malhoa, talvez para calcular a quantia a pagar ao modelo...


































Lisboa, 17 Out. 2015. LBG.

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Os cachopos da Fonte do Cordeiro

assíduos nas Exposições do Grémio

Acabada a aventura do Grupo do Leão «informal e sem estatutos» [1], coisa de «dissidentes», indiferentemente ou conforme se quisesse «realistas», «impressionistas», «veristas», «paysagistas» ou «naturalistas», então «rapazes ainda todos» [2], resolvida «entre boks e fumaças de cachimbo» [2] e cuja derradeira exposição corre pelos inícios de 1889 - foi tempo de associação mais formal.


Aos dez, melhor, aos onze iniciadores das Exposições de Quadros Modernos, (auto)retratados por Columbano no célebre quadro para a nova cervejaria homónima (1885), e aos quais junta por direito Alberto d’Oliveira com a inevitável prova ainda fresca do seu Catalogo Illustrado; «essa instituição» [3] protectora chamada criado Manuel exibindo «afiançada» «costelleta com hervas» [3]; e o impagável mano Rafael, amigo de sempre, divulgador sem falhas e a tempo e horas de todas as exposições, e que por essa mesma ocasião também regista o Grupo na magnífica caricatura dos Azulejos fingidos.


Aos tais onze, dizia, logo se somariam nas sequentes Exposições de Arte Moderna – e só então - as cinco «Senhoras Leoas» [4], o dito Rafael Bordallo Pinheiro e mais uma dúzia de nomeáveis artistas. Um total de vinte e nove Leões [5]– nem mais, nem menos! E batiam já à porta os de Paris, mais uns tantos do Porto e outros ainda. Era pois altura de agremiação nova, respeitável, de estatutos lavrados e tudo. Nasceu assim no início de 1890s o Grémio Artístico - então sim, com Silva Porto feito presidente, assembleia geral tutelada pela «Ramalhal figura» (que como entra, logo sai), e onde até Suas Majestades concorreriam. Coisa séria, portanto.



Então, pelo despontar da Primavera de 1891, sócios fundadores da nova agremiação, José Malhoa e Manuel Henrique Pinto participam na exposição inaugural do Grémio - e da qual Simões d’Almeida será um dos vogais do júri. Henrique Pinto mostra dois quadros: A Fonte do Cordeiro (Figueiró dos Vinhos) e A caça dos taralhões – este com assinalável e assinalado sucesso. Todavia, não fora as boas graças do Senhor D. Carlos que se dispôs a dar os 300 mil reis pedidos por ele, tudo não seria muito mais que conversa fiada - para azar de Pinto e apesar dos propalados estatutos, não se sabe porquê, não foi ainda nesse ano que se iniciou a anunciada distribuição de prémios, e a bem provável consagração dos “Taralhões” ficou eternamente adiada. 
Malhoa, por sua vez e entre outros trabalhos, apresentou Noé e Preciosa.



Aos quadros de Pinto perdeu-se o rasto. Tudo o que deles hoje sabemos resume-se ao escrito e impresso à época e a fotos preservadas no espólio que nos deixou. A Fonte do Cordeiro, c.1891, era uma paisagem de médio tamanho registando o complexo da fonte e dos tanques de rega, com o alçado quase erudito meio rococó visto de perfil, os esteios do antigo engenho já então arruinados, e o que parece ser um outro, já de recurso, feito de varais de madeira. A presença humana era dada por duas figuras femininas e seus cântaros. Uma mancha de arvoredo e os campos de cultivo enquadravam a cena. Seria hoje um documento único sobre a famosa Fonte. Já A caça dos taralhões, c. 1891 – mas por certo e como o outro pintado no final do Verão anterior - registava um rapazito descalço, deitado de bruços sobre a erva rasteira, de olhar atento na costela armada lá mais adiante, esperando pacientemente que mais um passarito lhe caísse na armadilha. Junto a ele, também pelo chão, jaziam chapéu e sacola da escola e uma mão cheia de taralhões já sem vida cujo destino seria o tacho. A paisagem era de mato rasteiro, tojos e urzes, árvores raquíticas, e muito ao longe na encosta divisavam-se as primeiras casas do povoado. Em grande formato, do que podemos adivinhar, seria uma bela duma pintura. Digna, assim e sem favor, do seu lugar na colecção Real.


Por sua vez, o quadro de Malhoa chegou até nós de boa saúde. Noé e Preciosa, 1891, é um retrato de dois irmãos, onde ele, ruço e mais velhito, a parece abraçar protegendo-a, e ela, de lenço amarrado à cabeça, partilha um pedaço de pão. Ambos sérios, suscitam ternura, não irradiam felicidade.
Com estas três telas iniciava-se a saga – era cenário, primeiro acto e protagonistas. Uma saga que se iria prolongar por uma boa meia dúzia de anos, contando as histórias de um punhado de cachopos - «o(s) filho(s) do Eduardo, então rendeiro da Fonte do Cordeiro, propriedade da família Serra» - como nos confidencia Malhoa pelo seu punho, e tendo por cenários aquelas terras ou os matos de pastorícia nas faldas do Cabeço do Peão, pelo Chão da Amoreira e sítios vizinhos.


O segundo episódio da novela chega com a 2ª Exposição do Grémio Artístico em 1892. Por certo animados pelo sucesso gerado na mostra anterior, mas sobretudo pela descoberta de tão bons modelos, vá de aviar mais do mesmo: Henrique Pinto apresenta-se então com Adormecido e A caça aos grilos, ambos datados de 1891; José Malhoa, quanto ao que agora interessa, mostra A última gota, Primeiras tentativas, Gritando ao rebanho e O almoço para o pai, todos também de 1891.







«Expõe Malhôa tambem uns quadros de genero, simples pastoraes, que parecem ter sido feitos de collaboração com o seu collega Henrique Pinto, tanto a factura d’elles se assemelha à deste artista. Houve quem chamasse áquella serie Escola de Figueiró dos Vinhos…» - disse-se então [6]. E o resto da crítica afinou pelo mesmo diapasão: «… as Primeiras tentativas e o Gritando ao rebanho [que pode ser visto hoje em dia no Museu Malhoa nas Caldas da Raínha], que várias pessoas attribuiram ao sr. Pinto, tanto elles se parecem com a Caça aos taralhões e com os dois quadros agora expostos por este artista, A caça aos grilos e Adormecido. Todos elles teem a mesma paisagem de um verde escuro, a mesma luz mais ou menos vaga e crepuscular, as mesmas figuras ao centro, no primeiro plano, ora um ora dois pequenos.» «Por isso o publico, que o anno passado soltou um brado unanime de admiração perante a Caça aos taralhões, este anno ficou bastante frio deante dos quadros enviados pelo sr. Pinto, - e tambem dos dois do sr. Malhoa.» «É que são variações de mais do mesmo thema. Ainda se fossem do mesmo artista, mas de dois!» «O caso fez-lhe espécie…» [7]
















Entendia-se, todavia, de modo diferente A última gota: «…que é de uma execução larga e bella. Um garotinho nu, sentado n’um interior de cabana, emborca a malga para lhe escorropichar a ultima gota de caldo…» [8].




















Os dois quadros de Pinto e as Primeiras tentativas, de Malhoa, podem ser vistos na presente exposição. E vê-los é bem melhor que descrevê-los.
Em todos, nestes e nos outros, o que primeiro salta à vista são os cachopos, os mesmos, «os filhos do Eduardo». Ainda o mesmo Noé, que de caçador de taralhões o é agora de grilos, ou é pastorinho que grita às cabras e adormece depois da janta. Ainda a Preciosa, que se delicia com os primeiros sons que, possivelmente, o Maximino – outro irmão um pouco mais velho – tenta tirar da flauta de cana. E mais um “artista”, mais novito, «o amigo António», o que escorropicha a malga, o que leva a merenda ao pai ou aprende com o Noé a tirar o bicho da toca. São eles os protagonistas.


Um ano mais, e na 3ª exposição do Grémio, 1893, quem sabe se pela má recepção anterior, apenas se viu uma amostra desta cachopada e num registo mais pequeno: a Preciosa, ainda com a mesma saia rosa, e «o amigo António» protagonizam uma única cena, à beira do muro «na fonte da Fonte do Cordeiro», intitulada Os curiosos, 1892. É Malhoa. E agradou - pelo menos à condessa de Proença-a-Velha que terá dado 135$000 por ele. Sabemos hoje que o quadro foi feito a partir de uma fotografia tirada por Malhoa ou por Pinto e que aquele pede por carta a este (é história já contada).

De Henrique Pinto, nesta mostra de 1893, nem rasto! O que é no mínimo curioso !? De facto, desde o início da sua apresentação regular nas exposições da Promotora (1880) até à sua morte (1912) já depois da 9ª da SNBA, esta é a única exposição onde não está presente!? Depois do mistério nunca falado da não atribuição de medalhas na exposição inaugural do Grémio e depois de mais trapalhada na seguinte – sabe-se que Malhoa recusou a «medalha de segunda classe» que lhe foi atribuída -, será que Pinto, a quem foi dada então uma «de terceira classe» precisamente pelo Adormecido, resolveu por sua vez amuar desta forma? Mais um mistério a acrescentar ao anterior…

Seja como for, no ano seguinte, na 4ª Exposição do Grémio, 1894, Manuel Henrique Pinto volta e insiste no mesmo registo: Preparativos para a caça, 1893, (também conhecido como Armando aos pássaros) é mais um episódio onde talvez ainda o Noé arma pacientemente a costela para a caçada do costume. E agora, talvez para obviar aos evidentes problemas oftálmicos do sr. João Sincero que, pelo visto, marrava no «verde escuro», um esplendoroso verde alface inunda a paisagem. Mereceu referência envergonhada da crítica e mereceu comprador. Ainda hoje corre pelo mercado.


Malhoa, por sua vez e neste particular dos «filhos do Eduardo», apresenta-nos agora o mais novito, o pequenito Venâncio brincando com uns ouriços de castanheiro, em Os ouriços, c.1894. E aqui também os verdes são outros – et pour cause!

«Agora passou a ser moda tratar mal os artistas na imprensa, e esta moda para se parecer com todas veiu importada de Paris na bagagem de um jornalista que encetou uma critica, embora illustrada e com pontos de vista elevados, exageradissima pelas comparações e pelas pretensões de querer medir pela grande bitola do Salon de Paris o nosso petit salon da rua de S. Francisco. Criticando acerbamente todos os nossos artistas não deixava de pé dois ou tres, visando, talvez, principalmente, ferir o Gremio Artistico, mas sendo em geral de uma grande benevolencia para com os amadores pretenciosos que o estragam.»
«Todavia esta critica irritante e injusta muitas vezes, não tem ainda os ridiculos de algumas outras, feitas por sujeitos que pouco enxergam de arte e vão dando bordoada de cego, macaqueando as severidades vindas de Paris, mas sem conseguirem alcançar ao menos o ar pedante e fino d’ellas.»
Com isto, e mais outro tanto, se viu Ribeiro Arthur obrigado a acabar a sua crónica sobre a 4ª Exposição, 1894 [9]. Tal seria o desvario que se apoderara da crítica - de uma e da outra.



















Depois, depois é a vez de Malhoa se dedicar À caça, 1895, possivelmente ainda com o Noé e as suas armadilhas (curiosamente a preço de saldo e com mais estória ainda por contar…). E logo, mudando-se para o outro lado da Vila, já com outra gente, nos mostrar A Olinda do lagar, 1895, com as suas trancinhas côr de fogo, rodeada de galinhas e pitos.



















Nesta 5ª Exposição do Grémio, Henrique Pinto terminaria a sua colaboração na novela de «Os filhos do Eduardo...» teimando - teimando no Noé como modelo quase exclusivo, que teima e mede forças com a cabra que finca as patas, em Uma teima, 1895, [quadro que podemos ver agora no Museu Malhoa sob o nome de Perrice]. E teimando nos verdes, nos outros, nos que ele via, nos que lhe pareciam e sentia, ele, como verdadeiramente sinceros.

















Finalmente, só na 7ª Exposição do Grémio Artístico, 1897, Malhoa se despedirá desta rapaziada. Em À passagem do combóio, 1896, reúne-os a quase todos, então já mais cresciditos: o António, o Noé, o Venâncio, a Preciosa, e a mãe Teresa com novo bebé ao colo. O quadro foi depois a Paris (1900) e naufragou na viagem de regresso. Restam dele apenas algumas fotos da época. E uma gravura francesa da autoria de Charles Baude, 1900, que é já a visão pessoal deste artista. Mais tarde, c.1905, o próprio Malhoa pintará nova versão – vendida no Brasil (1906) voltou de novo a Portugal – mas não é a mesma coisa…

















(Artigo publicado originalmente em 21 Junho 2014, in Imagens de Figueiró - o jornal da exposição patente no chamado Museu e Centro de Artes de Figueiró dos Vinhos
Revisto, completado e anotado entretanto.)
Sobre este mesmo assunto pode ainda ver, publicado aqui atrasado, isto.

10 Jul. 2014. LBG

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[1] FRANÇA, José-Augusto – O Grupo do Leão, 1880 e 81. Caldas da Rainha: MJM, 1981. Resumo da conferência proferida no MJM, em 16 Dez. 1981: «um nome comum que ficou, porém, em designação familiar, nunca oficializada – nem oficializável, já que se tratou sempre de uma associação livre, sem regulamentos nem estatutos e ainda menos direcção ou presidente titularizado.»
[2] «Z. Segredo» in Diario da Manhã, de 15 Dezembro 1881. (Trata-se de Mariano Pina e do artigo inicial onde este “dá o nome” ao «Grupo do Leão»)
[3] Ramalho Ortigão (?) in O António Maria, nº134, 22 Dezembro 1881, p.405.
[4] LEANDRO, Sandra – Como Leoas: as Senhoras Artistas do Grupo do Leão (1881-1888). in Falar de Mulheres: História e Historiografia. Lisboa: Livros Horizonte, 2008. (Artigo datado de Maio 2003)
[5] São eles, seguindo a ordem pela qual vão sendo referenciados nos sucessivos Catalogos Illustrados do Grupo do Leão: João Ribeiro Cristino da Silva, José de Sousa Moura Girão, José Vital Branco Malhoa, José Joaquim Cipriano Martins, Manuel Henrique Pinto, António Monteiro Ramalho Júnior, António Carvalho da Silva Porto, João José Vaz, João Rodrigues Vieira, Columbano Bordalo Pinheiro e José Augusto de Figueiredo. D.ª Mª Augusta Bordalo Pinheiro, Rafael Bordalo Pinheiro, D.ª Helena Gomes, D.ª Berta Ramalho Ortigão, José Júlio Sousa Pinto, Francisco Vilaça, José Moreira Rato Júnior, Júlio Teixeira Bastos, Ernesto Condeixa, Augusto Rodrigues Duarte, Adolfo César de Medeiros Greno, D.ª Josefa Garcia Greno, Carlos Reis, António Soares dos Reis, José Queirós, José Veloso Salgado, António Teixeira Lopes, Duquesa de Palmela. Estes e estas, e não outros.                     .                    
[6]  ARTHUR, B. Sesinando Ribeiro - Arte e Artistas Contemporaneos, (1ª serie). Lisboa: Livraria Ferin, 1896. p.195,196 – A Segunda Exposição do Gremio Artistico. (Reproduzindo artigo publicado na imprensa da época e datado de Maio 1892)
[7] «João Sincero» in O Occidente, nº482, 11 Maio 1892, p.107.
[8] ARTHUR, B. Sesinando Ribeiro - Arte e Artistas Contemporaneos, (1ª serie). Lisboa: Livraria Ferin, 1896. p.196 – A Segunda Exposição do Gremio Artistico. (Reproduzindo artigo publicado na imprensa da época e datado de Maio 1892)
[9] ARTHUR, B. Sesinando Ribeiro - Arte e Artistas Contemporaneos, (1ª serie). Lisboa: Livraria Ferin, 1896. p.341, 342 – A Quarta Exposição do Gremio Artistico. (Reproduzindo artigo publicado na imprensa da época e datado de Maio 1894)