terça-feira, 28 de abril de 2026

«Quem espera, desespera…»

              

             Hoje, 28 de Abril, seria o dia do aniversário de Malhoa.

          Apenas conhecida através do Livro da Homenagem ao Grande Pintor José Malhoa | Realizada com a exposição das suas obras, na Sociedade Nacional de Belas-Artes em Junho de 1928, esta pequena tábua - 37x45, segundo o catálogo -, aparentemente não datada e ali indicada como sendo de «192?», segundo a mesma fonte pertencente então ao «Ex.mº Snr. Eduardo Honório de Lima – Pôrto», tinha no Catálogo o nº 113 e reprodução a p&b na estampa LVI. Ao que parece, estará agora no MNSR, no Porto.

          É um quadrinho muito interessante. Pintado seguramente em Figueiró dos Vinhos, é um daqueles quadros onde Malhoa regista cenas da vida burguesa sob as faldas do Cabeço do Peão – que não eram só “labregos” ou “avinhados”, “lavouras” e “misérias”…

          A moça - que não sei quem fosse, nem me deito a adivinhar para não entrar na asneira costumeira – espera, bilhete ou carta na mão, por quem a irá levar ao correio que não tardará a partir…

O cenário, esse é evidente: uma das janelas do Atelier do «Casulo» - uma daquelas que desapareceram – e, através dela, vemos ainda dois dos prumos, então ainda em madeira, da varanda alpendrada, e também a esquina exterior da Sala logo ao cimo da escada que sobe à varanda. Percebemos ainda que a caixilharia era então azul e branca, mas já a precisar de uma demão.
No interior, a cadeira “de rabo de bacalhau”, se não é uma das que ainda por lá há, é muito parecida – não tem, de certezinha, é aqueles avivados doirados que alguém elucubrou… E o estuque era pintado a rosa-velho – vestígio que, não há muito tempo, ainda se vislumbrava na parte superior da cave aberta pelos anos 80, logo acima da cortina de betão.
O cavalete do Pintor também se percebe onde estaria: mais ou menos a meio do Atelier, junto ao arranque dos degraus que subiam para a habitação.
 
Para se perceber tudo, fica um desenho. O alçado esquemático da fachada principal do «Casulo», e a planta aproximada do piso térreo do conjunto – tudo como então era. E a encarnado, a eventual tomada de vistas.



Ah! Aquela “geringonça” sobre a porta de entrada no Atelier, ao jeito de “pedra de armas”, era mesmo uma Paleta de Pintor atravessada por dois Pincéis! – Aqui, logo acima da cabeça da Maria “dos Pintaínhos”.

Só mais duas notas:
          A tábua azul do peitoril faz lembrar, e tudo indica assim ser, a que vemos em «Ai, credo!», 1923, e no «Homem da gaiola», possivelmente pela mesma data. Ou seja, aquela mesma janela - ou a do lado - tanto serviu de poiso à mocinha burguesa - com almofada de recosto, evidentemente - como aos braços fortes e rudes do homem de foice ao ombro...
        Por fim, os meus maiores agradecimentos à Teresa e à sua preciosa ajuda a transformar uma imagem meio torta numa coisa decente. Grande beijo.
 

28 Abr.2026. LBG

 

sexta-feira, 24 de abril de 2026