Hoje,
28 de Abril, seria o dia do aniversário de Malhoa.
Apenas conhecida através do Livro da
Homenagem ao Grande Pintor José Malhoa | Realizada com a exposição das suas
obras, na Sociedade Nacional de Belas-Artes em Junho de 1928, esta pequena
tábua - 37x45, segundo o catálogo -, aparentemente não datada e ali indicada como
sendo de «192?», segundo a mesma fonte pertencente então ao «Ex.mº Snr. Eduardo
Honório de Lima – Pôrto», tinha no Catálogo o nº 113 e reprodução a p&b na
estampa LVI. Ao que parece, estará agora no MNSR, no Porto.
É um quadrinho muito interessante.
Pintado seguramente em Figueiró dos Vinhos, é um daqueles quadros onde Malhoa
regista cenas da vida burguesa sob as faldas do Cabeço do Peão – que não eram só “labregos”
ou “avinhados”, “lavouras” e “misérias”…
A moça - que não sei quem fosse, nem
me deito a adivinhar para não entrar na asneira costumeira – espera, bilhete ou
carta na mão, por quem a irá levar ao correio que não tardará a partir…
O cenário, esse é evidente: uma das janelas do
Atelier do «Casulo» - uma daquelas que desapareceram – e, através dela, vemos
ainda dois dos prumos, então ainda em madeira, da varanda alpendrada, e também a
esquina exterior da Sala logo ao cimo da escada que sobe à varanda. Percebemos ainda
que a caixilharia era então azul e branca, mas já a precisar de uma demão.
No interior, a cadeira “de rabo de bacalhau”, se
não é uma das que ainda por lá há, é muito parecida – não tem, de certezinha, é
aqueles avivados doirados que alguém elucubrou… E o estuque era pintado a rosa-velho
– vestígio que, não há muito tempo, ainda se vislumbrava na parte superior da
cave aberta pelos anos 80, logo acima da cortina de betão.
O cavalete do Pintor também se percebe onde
estaria: mais ou menos a meio do Atelier, junto ao arranque dos degraus que
subiam para a habitação.
Para se perceber tudo, fica um desenho. O
alçado esquemático da fachada principal do «Casulo», e a planta aproximada do
piso térreo do conjunto – tudo como então era. E a encarnado, a eventual tomada de vistas.
Ah! Aquela “geringonça”
sobre a porta de entrada no Atelier, ao jeito de “pedra de armas”, era mesmo
uma Paleta de Pintor atravessada por dois Pincéis! – Aqui, logo acima da cabeça
da Maria “dos Pintaínhos”.
Só mais duas notas:
A tábua azul do peitoril faz
lembrar, e tudo indica assim ser, a que vemos em «Ai, credo!», 1923, e no «Homem da
gaiola», possivelmente pela mesma data. Ou seja, aquela mesma janela - ou a do
lado - tanto serviu de poiso à mocinha burguesa - com almofada de recosto,
evidentemente - como aos braços fortes e rudes do homem de foice ao ombro...
Por fim, os meus maiores
agradecimentos à Teresa e à sua preciosa ajuda a transformar uma imagem meio
torta numa coisa decente. Grande beijo.
28 Abr.2026. LBG