«Meu
caro Luiz
Em
primeiro lugar: Viva a republica!
Como
tens tu passado?
Agradecido
pelo teu cuidado, todos estamos bons, e saudamos o novo regimen.
Então
o que me dizes tu a tudo isto, à bravura dos nossos soldados, ao nosso povo que
já não tem capilé nas veias e ao nosso governo?
Estou
encantado com a boa orientação da nossa gente. E tu?... …
Desejava
ver-te porque tenho coisas novas que deves gostar, tais como, medalha da guerra
Peninsular, uma estatua Despertar, uns marmores, etc. Até quando?
saudades
do teu primo muito amigo José.
|Saude
e Républica…|»
Datada de Lisboa, a 9 de
Outubro de 1910, apenas quatro dias após a Proclamação de República, eis um
postal de José Simões d’Almeida (sob.º) para o seu primo Luiz d’Almeida Pinto. Nele,
o escultor do conhecido busto da República dá conta dos primeiros sentimentos
quanto à mudança de regime.
(E dois meses e meio depois,
pelo Natal, a menina do Despertar também
iria, já em postal ilustrado… Mas não é isso o que agora aqui nos traz)
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J Simões d'Almeida (sobº) Busto da República, 1908 |
De José Simões d’Almeida Sobrinho
(1880-1950) é este Busto da República,
1908, ainda contemporâneo do reinado bragantino, encomenda da Câmara Municipal
de Lisboa, já então de vereação republicana, e mais tarde reproduzido às
centenas, ou copiado à exaustão em versões mais ou menos fieis ou de gosto mais
popular.
Aqui numa das suas versões originais, em gesso - oferta do Autor ao
Clube Figueiroense e actualmente depositado na Câmara Municipal de Figueiró dos
Vinhos, a terra que o viu nascer.
Fica também uma outra
versão, a menos conhecida, o Busto da
República, 1910, já moldado sob o novo regime republicano, possivelmente a
versão para o concurso oficial - ganho por outro (que ganhou “as mesmas”,
pois o busto do Simões já havia conquistado o coração do povo, saído á rua nos
funerais dos heróis da República, e assim ficou…)
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J Simões d'Almeida (sobº) Busto da República, 1910 |
Esta outra versão, assinada
e datada de 1910, faz parte do antigo acervo da Escola Industrial Jacôme
Ratton, de Tomar - ao tempo dirigida pelo tio do Escultor, o pintor Manuel
Henrique Pinto, o pai do Luiz a quem aquele postalinho foi dirigido.
Por fim, em dia 5 de Outubro,
uma outra pouco conhecida obra da época, celebrando a Revolução Republicana. Da
autoria de José Maria de Sousa Moura Girão (1840-1916), outro dos pintores do
Grupo do Leão, o quadro Viva a República,
1910.
Trata-se de um óleo sobre
tela, com 45x35 cm, assinado e datado «J. Gyrão, 1910» e que foi apresentado na
9ª Exposição da SNBA, 1911, com reprodução fotográfica no respectivo catálogo [1].
Um dos habituais galos emplumados de Girão, um dos raros que se exibem a cantar, anuncia a aurora republicana, empoleirado numa das barricadas da Rotunda. Ao fundo, dando Vivas à República, o povo agita armas, chapéus e bandeiras. Note-se, nestas, a troca das cores relativamente ao que viria a ser estabelecido pela Comissão participada por Columbano – aqui, o campo vermelho apresenta-se do lado da tralha – Girão regista, muito provavelmente, o verde e rubro carbonário.
Um dos habituais galos emplumados de Girão, um dos raros que se exibem a cantar, anuncia a aurora republicana, empoleirado numa das barricadas da Rotunda. Ao fundo, dando Vivas à República, o povo agita armas, chapéus e bandeiras. Note-se, nestas, a troca das cores relativamente ao que viria a ser estabelecido pela Comissão participada por Columbano – aqui, o campo vermelho apresenta-se do lado da tralha – Girão regista, muito provavelmente, o verde e rubro carbonário.
Viva a República!
5 Out. 2012. LBG.
5 Out. 2012. LBG.
[1] Reproduzido aqui a cores a
partir do livro de Manuel Nunes Corrêa, Moura
Girão 1840-1916. Lisboa 1983.
Olá, muito boa tarde. Sou investigadora e estou a escrever minha tese de doutoramento, gostava de saber se podemos trocar algumas impressões e informações sobre os documentos que vi do José Simões de Almeida Sobrinho.
ResponderEliminarCom os melhores cumprimentos
Pois faça o favor de dizer... Deixe-me o seu email (que, obviamente, não será publicado) e, na medida do possível e do meu fraco saber, responder-lhe-ei.
ResponderEliminarLBG